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8.4.10

Não violência contra a mulher



Recentemente fiz um trabalho voluntário na ONG Casa Cidinha Kopcak localizada na zona leste de São Paulo a qual realiza um trabalho social e psicológico com mulheres que sofrem agressão (física, verbal e psicológica). Agressão essa que se instala na maioria das vezes no próprio lar.
A casa é composta por uma equipe multidisciplinar que conta com Psicóloga, Assistente Social, Advogada e profissionais que oferecem gratuitamente palestras, atendimentos, cursos livres (Bijouterias, Manicure, Pedicu.re, dentre outros) com o principal objetivo de libertar a mulher da situação de agressão, resgatando a sua auto-estima, amor próprio e profissionalizando-a para que antes mesmo de sair da situação de agressão, essa mulher tenha condições de se manter em todos os aspectos (psicológico, social, econômico....) e de manter muitas vezes os filhos, que geralmente vivenciam com essa mãe a situação de agressão.
Esse trabalho me proporcionou uma experiência riquissíma.
Conhecer o sofrimento do outro é algo muitas vezes impactante, pois, as marcas, o olhar triste, a expressão apavorante, o medo revelam muito mais do que as palavras. A maioria delas chega no grupo calada, silenciada pela agressão, mas é no grupo que elas se encontram, se identificam através das histórias e experiências de outras mulheres e passam a revelar mais de si e de seu sofrimento.
A força e o desejo que elas têm em querer se libertar dessa situação de agressão é muito maior do que qualquer marca ou medo. É uma força que as motiva cada vez mais a buscar a auto-estima, a independência, o poder de decisão, a realização de sonhos, a felicidade.
Com essa vivência, percebo que eu fui a pessoa quem mais ganhou, pois conhecer o sofrimento vivido por cada uma delas e as condições que levaram à serem agredidas (álcool e drogas na maioria das vezes, porém, a minoria ainda é agredida sem motivos) proporcionam um rico aprendizado no qual transformou o meu olhar, a minha visão com relação à vida. Essa visão passou a ter um vínculo muito maior com a valorização, com o respeito, com o reconhecimento e com o amor.
Agradeço de coração à Casa Cidinha Kopcak por ter me recebido nesse trabalho, à Rosemeire, psicóloga da casa que com tanta dedicação e amor, contribui para a recuperação dessas mulheres.
Finalizo esse texto com indicação de alguns vídeos que abordam a questão da violência e que fica aqui como um Protesto, uma Manifestação pela Não Violência contra a mulher, seja qual for a sua forma.

http://www.youtube.com/watch?v=EKGpezWaO6E&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=oNFRg0bPBdc

http://www.youtube.com/watch?v=LXAPZ5qzhN4&feature=related

Vamos ajudar a divulgar Ongs que assim como a Casa Cidinha Kopcak se mobilizam para mudar o quadro de violência em nosso país.
Disque denúncia: 180.
Não se cale!

14.10.08

Mulheres Possíveis - Texto na Revista do Jornal O Globo


Eu não sirvo de exemplo para nada, mas, se você quer saber se isso é possível, me ofereço como piloto de testes.
Sou a Miss Imperfeita, muito prazer. Uma imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa profissional, mãee mulher que também sou: trabalho todos os dias, ganho minha grana, vou aosupermercado três vezes por semana, decido o cardápio das refeições, levo osfilhos no colégio e busco, almoço com eles, estudo com eles, telefono paraminha mãe todas as noites, procuro minhas amigas, namoro, viajo, vou aocinema, pago minhas contas, respondo a toneladas de e-mails, faço revisõesno dentista, mamografia, caminho meia hora diariamente, compro flores paracasa, providencio os consertos domésticos, participo de eventos e reuniõesligados à minha profissão e ainda faço escova toda semana - e as unhas! E, entre uma coisa e outra, leio livros. Portanto, sou ocupada, mas não uma workaholic.
Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas coisinhas que operam milagres.
Primeiro: a dizer NÃO.
Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer NÃO.
Culpa por nada, aliás.
Existe a Coca Zero, o Fome Zero, o Recruta Zero. Pois inclua na sua lista a Culpa Zero.
Quando você nasceu, nenhum profeta adentrou a sala da maternidade e lhe apontou o dedo dizendo que a partir daquele momento você seria modelo paraos outros.
Seu pai e sua mãe, acredite, não tiveram essa expectativa: tudo o que desejaram é que você não chorasse muito durante as madrugadas e mamasse direitinho.
Você não é Nossa Senhora.
Você é, humildemente, uma mulher.
E, se não aprender a delegar, a priorizar e a se divertir, bye-bye vida interessante.
Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é ser sempre politicamente correta, não é topar qualquer projeto por dinheiro, não é atender a todos e criar para si a falsa impressão de ser indispensável.
É ter tempo.
Tempo para fazer nada. Tempo para fazer tudo.
Tempo para dançar sozinha na sala.
Tempo para bisbilhotar uma loja de discos.
Tempo para sumir dois dias com seu amor.
Três dias. Cinco dias!
Tempo para uma massagem.
Tempo para ver a novela.
Tempo para receber aquela sua amiga que é consultora de produtos de beleza.
Tempo para fazer um trabalho voluntário.
Tempo para procurar um abajur novo para seu quarto.
Tempo para conhecer outras pessoas.
Voltar a estudar.
Para engravidar.
Tempo para escrever um livro que você nem sabe se um dia será editado.
Tempo, principalmente, para descobrir que você pode ser perfeitamente organizada e profissional sem deixar de existir. Porque nossa existência não é contabilizada por um relógio de ponto ou pela quantidade de memorandos virtuais que atolam nossa caixa postal.
Existir, a que será que se destina?
Destina-se a ter o tempo a favor, e não contra.
A mulher moderna anda muito antiga.
Acredita que, se não for super, se não for mega, se não for uma executiva ISO 9000, não será bem avaliada.
Está tentando provar não-sei-o-quê para não-sei-quem.
Precisa respeitar o mosaico de si mesma, privilegiar cada pedacinho de si.
Se o trabalho é um pedação de sua vida, ótimo! Nada é mais elegante, charmoso e inteligente do que ser independente. Mulher que se sustenta fica muito mais sexy e muito mais livre para ir evir. Desde que lembre de separar alguns bons momentos da semana para usufruir essa independência, senão é escravidão, a mesma que nos mantinha trancafiadas em casa, espiando a vida pela janela.
Desacelerar tem um custo. Talvez seja preciso esquecer a bolsa Prada, o hotel decorado pelo Philippe Starck e o batom da M.A.C.
Mas, se você precisa vender a alma ao diabo para ter tudo isso, francamente,está precisando rever seus valores. E descobrir que uma bolsa de palha, uma pousadinha rústica à beira-mar e o rosto lavado (ok, esqueça o rosto lavado) podem ser prazeres cinco estrelas e nos dar uma nova perspectiva sobre o que é, afinal, uma vida interessante.

Martha Medeiros - Jornalista e escritora

Indicação de livros

  • A Arte Da Guerra - Sun Tzu
  • A cura de Schopenhauer - Irvin D. Yalom
  • Heróis de Verdade - Roberto Shinyashiki
  • O guardião de memórias - Kim Edwards
  • Quando Nietzsche Chorou - Irvin D. Yalom
  • Você é Insubstituível - Augusto Cury

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